7 de julho de 2010

Campeones!

Cala Ratjada, estância balnear na ponta leste da ilha de Maiorca. Turismo de calções, hambúrgueres e música alta. Alemães, muitos alemães. De Maio a Setembro, esta parte da ilha é um enclave germânico. Um milhão de habitantes dependente da mais forte economia da União Europeia e da velha Albion.

Uma ilha expectante e preocupada com a crise económica. Em 2009, houve um decréscimo de 30% na procura turística. Em 2010, a tendência descendente permanece. Estamos na primeira semana de Julho e todos dizem o mesmo – Está muito fraco. Há esperanças de que, depois do Mundial, haja uma vaga de alemães. Sobretudo, se os teutónicos tiverem erguido a Copa.

Na capital, Palma, fala-se de catástrofe. Não a catástrofe do ano passado, a do atentado terrorista, mas a hecatombe das camas desocupadas.

Em Cala Ratjada, a par do turismo de “pé descalço” do sistema “tudo incluído” (jovens germânicos em euforia permanente, a nadar em álcool de duvidosa proveniência), subsiste o turismo de maior qualidade, como o que é oferecido pelo S’Entrador Playa e Serrano Palace, entidades de acolhimento de estágios da EPADRV. Há também os de média estirpe, como os do grupo Vista Pinar. Todos diferentes, todos aliciantes.

Nove alunos da EPADRV pisam estes solos vulcânicos. Em hotéis de 5 estrelas ou noutros menos categorizados passam pela experiência de trabalhar fora de casa e noutro país. Não estão sozinhos; pela Internet ou pelo telefone, diariamente estão em contacto com as famílias e com a escola. Todos os dias se encontram nas horas de folga. Falam do dia de trabalho, falam do futuro, comparam a dureza das tarefas, vangloriam-se das proezas conseguidas. Imaginam-se directores de hotéis e Chefs de estrelas Michelin. Percebem o valor da formação e pedem mais aulas de línguas.

São, em geral, muito apreciados e acarinhados pelas empresas hoteleiras. Os directores dos hotéis conhecem-nos pelo nome ao fim de pouco dias e sabem caracterizar as sua atitudes e competência. Estes “chicos” sabem já que, apesar de estarem no início da pirâmide, são importantes recursos na máquina turística. Sabem que podem evoluir se quiserem. Não se importam de executar tarefas rotineiras e duras, pois só assim ganharão o respeito dos mestres.

Ouvi com agrado o Chef do hotel Serrano Palace (5 estrelas) mostrar gosto em ensinar os truques e os segredos da cozinha ao estagiário. Como numa prova iniciática, nada é oferecido de bandeja, é preciso sofrer para merecer o conhecimento. Vem-me à memória Fernando Pessoa – “Quem quer passar o Bojador / Tem que passar além da dor.” Nada mais límpido.

Os estagiários da EPADRV em Maiorca estão felizes. Como diria uma famoso jogador de futebol, estão felizes, porque estão contentes. Têm a oportunidade de conhecer um dos locais mais turísticos da Europa, aprendem com a exigência do trabalho real, exercitam competências linguísticas, divertem-se nas horas de folga, ganham ambição e perdem o medo do futuro.

E sabem que podem sempre contar com a escola. Em Portugal ou em Espanha, estamos sempre perto.

Ao João, ao Daniel, à Sónia, à Renata, à Andreia, ao Fernando, ao Alexandre, ao Sérgio e ao Tiago: Fuerza, Campeones!

Miguel Tomás (em visita de acompanhamento aos estagiários da EPADRV, com Roberto Conde, director de Curso).

2 comentários:

Anónimo disse...

os da madeira sao pretos? -.-
tambem mercemos destaque ... LOL

Anónimo disse...

os da madeira sao pretos? -.-
tambem mercemos destaque ... LOL